Regional da ABECS/Bahia se reune com chefe do gabinete do Secretário da Educação do Estado da Bahia para discutir carga-horária das disciplinas de Sociologia e Filosofia no Ensino Médio

Regional da ABECS/Bahia se reune com chefe do gabinete do Secretário da Educação do Estado da Bahia para discutir carga-horária das disciplinas de Sociologia e Filosofia no Ensino Médio

Por Regional ABECS-Bahia

Ocorreu dia 17 de dezembro de 2019, terça-feira, uma Reunião da ABECS (representada por Profª Jeovane Marusia, rede estadual da Bahia, Profº Fabiano Brito, sociologia/IFBA, Prof° Bruno Durães, sociologia/UFRB) em conjunto com o Sindicato dos Sociólogos do Estado da Bahia (a socióloga Carmen Cunha), com o Vice-Coordenador do Curso de Filosofia da UFBA (Prof. Vinicius Santos), com Jeferson Nicácio (do Centro Acadêmico de Filosofia da UFBA) e a Secretaria de Educação do Estado da Bahia. Estiveram presentes representando a secretaria: O Chefe de Gabinete do Secretário da Educação do Estado da Bahia (Prof Paulo Cézar Lisboa Cerqueira, Sociólogo), diretores/superintendentes e representantes da Área de Ensino Médio e da Superintendência de Política da Educação Básica da Bahia (Manuelita Falcão Brito, Jurema Brito, Renata Souza e Prof. Marcius de Almeida Gomes/UNEB) e prof. Nildo Pitombo.

A pauta da reunião

Discutir a carga horária de Sociologia e da Filosofia no Novo Ensino Médio da Bahia.

Abordamos os seguintes itens:

1- Informamos que nem a reforma do Ensino Médio de 2017 e nem a BNCC do Ensino Médio de 2019 reduziram ou excluíram Sociologia e Filosofia (usaram como argumento duas vezes que o corte é federal, mas contestamos essa informação equivocada); essas disciplinas ficaram no currículo após campanha nacional que foi feita em 2017 pela Abecs/Anpof/SBS etc., com um abaixo-assinado com cerca de 10 mil assinaturas e que se vão reduzir agora é por decisão unilateral do Estado da Bahia;

2- É notório que Sociologia e Filosofia são áreas consolidadas no Brasil (com programas de pós-graduação, publicações, produção acadêmica, produção de material didático etc.) e que temos na Bahia cursos de licenciatura públicos, sendo 07 de Ciências Sociais e 06 de Filosofia. Portanto, se esse CORTE do Governo vingar, esses cursos ficarão em risco de permanência, pois vão fechar postos de trabalho, pois haverá menos concursos;

3- São disciplinas fundamentais para formação humanística, crítica e cidadã;

4- São disciplinas perseguidas historicamente e que entram e saem do currículo a depender do tipo de Governo (se conservador ou progressista);

5- Temos problemas de professor não formado adequadamente na área na Bahia, por isso defendemos a necessidade do Estado sanar esse problema com mais concursos;

6- Se no plano federal temos retrocessos brutais e diversos, que no nível Estadual fosse mantido o avanço em manter disciplinas reflexivas na Educação.

Questionamos na reunião – os pontos

1- Qual o motivo dessa redução de 60% da carga de sociologia (maior redução dentre todas as disciplinas) e quase 50% de filosofia? Quais Critérios?;

2- O governo citou Paulo Freire, Demerval Saviani e Anísio Teixeira nos documentos do novo currículo, mas estão propondo uma Educação sem o pensamento crítico na Escola, como essa contradição é possível?

3- A Bahia não quer ser referência e manter essas disciplinas em defesa de uma educação transformadora?

Por fim, defendemos a manutenção da carga horária atual de sociologia e filosofia no eixo comum (5 horas para cada disciplina e não 2 horas como estão propondo de forma vergonhosa e repugnante).

Nossa proposta foi baseada, sobretudo, nos seguintes pontos gerais:

1. São as únicas disciplinas que não estão no ensino fundamental;

2. Lidam com temas atuais e relevantes para vestibular, Enem e redação;

3. Concebem uma formação crítica sobre a Sociedade e o mundo;

4. Lidam com temas fundamentais da sociedade (raça, gênero, classe, cultura, política, diversidade, trabalho etc.).

A reunião durou aproximadamente 2 horas, entregamos uma proposta e ficaram de responder em um dia. Ademais, cabe registrar que tivemos momentos tensos na reunião e conflituosos (beirando desrespeito), o que não condiz com o “lugar” ocupado por pessoas que estão na Gestão de uma Secretaria de Educação. Essa, certamente, não é a forma adequada de receber educadores/as e entidades sociais.

Breve balanço

Ficou, por fim, evidente ontem a concepção alijeirada e tecnicista de Educação na fala dxs representantes da Secretaria e também ficou evidente que não possuem critérios objetivos para esses Cortes, por vários momentos ficavam em silêncio, pois não existiam respostas concretas para serem ditas (ou ficaram com vergonha ou receio de explicitar). Disseram que fizeram pesquisas em algumas Escolas de forma vaga e aleatória, mas não mostraram nenhum dado sobre isso. Por vezes, transpareceu que estavam ancorados em “achismos”, “suposições” e na visão difundida nacionalmente de que é preciso um suposto novo ensino médio flexível e atraente para o jovem e que nele não cabem, como falaram, as “caixinhas das disciplinas” e nem disciplinas críticas como as nossas e disseram, que, na verdade, “todas as disciplinas são críticas”. Logo, que não haveria peculiaridade em sociologia e filosofia. Portanto, ontem as máscaras caíram e ficou evidenciado boa parte da intencionalidade do Governo, que tratou a educação como custo e mercadoria e não como transformação e formação do cidadão emancipado”.

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