Narrativas de si no espaço escolar, juventudes e ensino de sociologia

Maria Alda de Sousa Alves, Joana Elisa Rower

Resumo


A heterogeneidade de jovens alunos que chega ao ensino médio brasileiro nas últimas décadas traz novos desafios ao processo de ensino-aprendizagem. Estes novos atores sociais que integram a escola pública trazem consigo múltiplas experiências sócio- culturais e narrativas que vão além do instituído em diretrizes e documentos normativos. O tornar-se aluno ganha outros contornos e significados, que não consiste apenas em seguir modelos pré-estabelecidos, mas em construir no cotidiano escolar sentidos para suas experiências e conhecimentos disciplinares. Nesta perspectiva, sugere-se que a escola e seus docentes reconheçam os sujeitos jovens e suas demandas a fim de não reproduzirem uma cultura escolar excludente e homogeneizante. Parte-se, portanto, da necessidade de reconhecimento de uma “pedagogia das juventudes”, como metodologia a ser observada pelos atores escolares. Neste artigo, esboçamos esta pedagogia a partir da compreensão das correntes sociológica geracional e classista. Buscamos, num segundo momento, enfatizar narrativas autobiográficas como dispositivos de formação, “estranhamento” de si e “desnaturalização” da realidade social  com base em “mini-relatos” de jovens registrados em documentário brasileiro.


 


Palavras-chave


juventudes, experiências escolares, narrativas, ensino de sociologia.

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